Setor · Feiras e eventos
Um salão cheio de desconhecidos que falam outras línguas
Feiras e eventos são onde os óculos encontram a maior variação de reação: estandes que fecham pedido com eles, agentes da alfândega que fiscalizam com eles, e uma conferência hacker que expulsa quem os usa.
Piso de feira é uma sala difícil. É barulhento, a pessoa na sua frente fala uma língua que você não fala, você conhece duzentas pessoas em três dias e lembra de onze, e tudo que você precisa saber está impresso num cartão em algum lugar atrás de você. Dez casos daqui trabalham nessa sala, e eles não concordam entre si.
O estande que fecha o negócio
Os resultados mais claros vêm de organizadoras de feira chinesas. LAWK e Meorient puseram óculos com IA na equipe de estande em feiras da Rota da Seda no Vietnã e na Indonésia: em Jacarta o tempo de tradução no piso passou de 9.000 minutos acumulados, e um expositor disse que a conversa sem barreira permitiu reservar várias máquinas na hora. Na Feira China-ASEAN, um pedido anunciado de 1.000 pares aparece na matéria da agência estatal com a fórmula 据悉, ou seja, informação de segunda mão; publicamos como pedido anunciado e nada além disso, porque ninguém mostrou os 1.000 pares em uso.
O agente que percorre os corredores
Dois casos são o Estado, não o vendedor. Na 2ª Feira Internacional de Importação da China, a China Telecom pôs óculos AR na equipe de conferência de credencial, e o fiscal em ronda virou uma câmera móvel transmitindo por 5G para o centro de comando. Na 4ª edição, a alfândega de Xangai percorreu os pavilhões com óculos AR que leem o QR code colado na vitrine e mostram no display a nacionalidade e o nome da peça, gerando o relatório por voz. A própria alfândega chamou o resultado de ronda sem papel. Nenhuma das duas publicou tempo medido.
A sala que diz não
A DEF CON proíbe os óculos da Meta no piso, inclusive as versões com lente de grau, e pede que você se retire. As organizadoras do TechBBQ, do HumanX e do Deep Tech London decidiram o contrário: o problema é o comportamento, não o aparelho, já que um celular grava com o mesmo disfarce, e uma delas propôs aviso de gravação por adesão em vez de proibição. Quem vende para eventos tem de planejar as duas respostas na mesma temporada.
E a plateia
O National Theatre, em Londres, montou o caso com os números mais fortes deste arquivo, e ele não é sobre vender nada: óculos de legenda que acompanham o espetáculo contra o roteiro levaram o acesso com legenda de cerca de 5% das apresentações para cerca de 80%, algo como 800 por ano. Um espectador disse ao jornal que fazia 30 anos que não ia ao teatro.