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Setor · Etiquetas e lotes

Olhar a etiqueta, receber a resposta, manter as duas mãos na caixa

Separação em armazém é o uso mais antigo e mais lucrativo desses óculos, e o que tem mais número publicado. É também o único setor daqui com dois estudos que mediram a tecnologia perdendo.

Ler um código e receber a resposta é o menor trabalho possível para um par de óculos, e é o que vem sendo vendido há mais tempo. A DHL fez um piloto de três semanas com 10 separadores em 2015, adotou o vision picking como padrão em 2017 e expandiu para o mundo em 2019. Repare nos números: 25% no piloto de um armazém, 15% depois de espalhado pela operação. Os dois são reais, medem coisas diferentes, e citar o 25 sem o 15 é como um estudo de caso vira peça de venda.

A Neovia Logistics saiu de 10 unidades em 2018 para 85 em 2020, a maior frota de intralogística da época, com eficiência de separação 15% maior e tempo de treinamento de funcionário novo até 60% menor. A DB Schenker relatou produtividade melhor em Bremen e Rodgau, mas não publicou número nenhum, e disse isso pela própria assessoria; é assim que carregamos o caso.

Os dois estudos que dizem não

Dez técnicos de farmácia do Houston Methodist inspecionaram unidades de medicamento por 90 dias com um aplicativo no celular e por mais 90 dias com o mesmo aplicativo nos óculos. A inspeção levava em média 1 minuto no celular e passou a 4 minutos nos óculos (P < 0,01), e a satisfação caiu em eficiência, qualidade e comunicação. Os autores concluíram que a tecnologia ainda não está pronta para essa tarefa.

Numa fazenda de ovinos da Universidade de Sassari, 18 pessoas identificaram animais pelo bólus ruminal. O leitor RFID de mão com lista de papel ganhou no tempo, 59,79 segundos contra 82,72 do Moverio BT-300 e 98,33 do HoloLens 2. Mas ninguém errou uma identificação em nenhum método, e no questionário NASA-TLX a demanda mental, a pressão de tempo e a frustração ficaram menores com os óculos. Mais lento e mais fácil é um resultado de verdade, e qual dos dois importa depende de o seu gargalo ser o relógio ou a pessoa.

Onde funciona sem discussão

As vitórias deste arquivo são os trabalhos em que não há outro jeito de liberar as mãos: uma farmácia hospitalar em Luxemburgo documentando passo a passo o preparo estéril de medicamento, que levou um prêmio de inovação da Pfizer; frigoríficos australianos deixando o auditor externo acompanhar a inspeção ao vivo de fora durante a covid; a Subaru cortando cerca de 25% do tempo de medição tridimensional de carroceria ao espelhar a tela da máquina de medir na lente, em vez de voltar até um PC a dez metros. E o mais simples de todos: uma usuária cega apontando o Envision Glasses para dois pacotinhos de molho iguais para saber qual é o shoyu.

Casos citados

  • Quem
    DHL Supply Chain / DHL Express (programa Vision Picking), com Ricoh, Ubimax e Vuzix
    O que fez
    Separadores de pedidos usam óculos com HUD no lugar da lista em papel ou do coletor manual: a câmera lê o código de barras do item e o display mostra corredor, posição na prateleira e quantidade, com as mãos livres para o carrinho. O programa tem três marcos públicos: piloto de 3 semanas com 10 operadores em 2015, com Google Glass e Vuzix M100 (https://logisticsviewpoints.com/2015/04/16/picking-with-vision/); adoção como padrão em 2017, com Vuzix M100 e M300 rodando o Xpick da Ubimax (fonte principal deste caso); expansão global em 2019 com o Google Glass Enterprise Edition 2 (https://www.supplychaindive.com/news/dhl-vision-picking-program-google-glass-wearables/555636/).
    O que saiu disso
    No piloto de 2015, 10 operadores separaram mais de 20.000 itens e 9.000 pedidos em 3 semanas, com 25% de ganho de eficiência. Em 2017 a DHL reportou ganho médio de 15% de produtividade, mais precisão na separação e tempo de treinamento de funcionário novo cortado pela metade, e passou a tratar o vision picking como padrão permanente, não como piloto. Em 2019 os armazéns do programa mantinham os 15% e a DHL começou a distribuir centenas de unidades da segunda geração do Glass. Os dois números de ganho vêm de escalas diferentes: 25% no piloto de um armazém, 15% na operação já espalhada.

    www.prnewswire.com

  • Quem
    Neovia Logistics
    O que fez
    Operador logístico terceirizado (3PL) usa óculos Picavi baseados no Google Glass Enterprise Edition 2 para 'pick-by-vision': escaneia pelo campo de visão o código de barras de peças de motocicleta e mercadoria de varejo ao separar pedidos no depósito para um cliente global do setor de motocicletas.
    O que saiu disso
    Começou com 10 unidades em 2018; em 2020 já operava 85 óculos, a maior frota do setor de intralogística até então, com mais 100 comprados para expansão global. Eficiência de separação subiu 15% (8-10% segundo o piloto inicial) e o tempo de treinamento de novos funcionários caiu até 60%.

    newyork.citybuzz.co

  • Quem
    Robert Schuman Hospitals (HRS)
    O que fez
    Equipe de produção da farmácia hospitalar (Marie Sevrin e Louise Tacré, sob Anne Otto) usa óculos Vuzix M400 com o aplicativo Flex4vision para guiar e documentar o preparo estéril de medicamentos, escaneando rótulos e registrando fotos/vídeos de cada etapa para dar rastreabilidade ao processo.
    O que saiu disso
    Venceu o Pfizer Innovation Award for Innovation in Hospital Pharmacy (prêmio de €10.000) em 7 de junho de 2024, por melhorar precisão, eficiência e segurança/rastreabilidade no fluxo de medicamentos.

    www.vuzix.com

  • Quem
    Amazon (centro de distribuição no Reino Unido, integração feita pela chinesa Anbot/RealMax 安宝特)
    O que fez
    Operadores de armazém usam óculos Vuzix M400 combinados com um leitor de código de barras/QR embutido na luva: o óculos mostra no HUD o tipo de item e a posição de coleta enquanto a luva faz a leitura do código sem precisar segurar um leitor separado; o mesmo sistema grava vídeo de rastreamento de carga e monitoramento em tempo real durante o transporte, além de treinar novos funcionários em primeira pessoa.
    O que saiu disso
    Segundo o estudo de caso publicado pela integradora, a solução deu suporte a decisões em tempo real e melhorou de forma significativa a eficiência operacional do armazém e do centro de distribuição; nenhuma métrica numérica foi divulgada.

    www.arbigtec.com

  • Quem
    Vuzix (SDK oficial de código de barras)
    O que fez
    O repositório Vuzix/sdk-barcode expõe uma interface por Intent que abre o aplicativo de leitura de código de barras já embutido no óculos e devolve o resultado do escaneamento para o app do desenvolvedor, sem precisar pedir permissão de câmera, e é a forma padrão de qualquer aplicativo terceiro implementar leitura de etiqueta/código de barras nos óculos Vuzix.
    O que saiu disso
    Compatível com os modelos M300, M400, M4000, Blade, Blade2, Shield e LX1. Não é open source: o uso exige aceitar o contrato de licença de SDK da própria Vuzix.

    github.com

  • Quem
    Envision (depoimento de Vicky Cardona, gerente de comunidade da Envision)
    O que fez
    Usuária cega ou com baixa visão aponta o óculos Envision Glasses para pacotes de molho de mesa para a IA ler o texto/rótulo da embalagem em voz alta e dizer qual pacote é qual.
    O que saiu disso
    No depoimento citado, ela conseguiu identificar corretamente qual pacote era de molho de soja (shoyu) e qual era molho de pato (Duck Sauce) apenas pela leitura do rótulo feita pelo óculos.

    www.letsenvision.com

  • Quem
    Akraam Abdel-Kerem, Wenfei Wei, Aranzazu Calzado, Haley Blanck, Jane Scott e Ghalib Abbasi (Houston Methodist Hospital)
    O que fez
    Dez técnicos de farmácia fizeram a inspeção periódica das unidades de medicamento do hospital registrando tudo num aplicativo de conformidade. Em 90 dias usaram só o aplicativo no celular; nos 90 dias seguintes o mesmo aplicativo passou a rodar com óculos inteligentes. O estudo mediu o tempo de documentação e a satisfação dos técnicos. O resumo publicado não informa o modelo dos óculos.
    O que saiu disso
    Resultado negativo: a inspeção levava em média 1 minuto com o celular e passou a 4 minutos com os óculos (P < 0,01). A satisfação caiu nas notas de eficiência, qualidade e comunicação; conforto e interface ficaram iguais. Os autores concluem que os óculos não melhoraram a eficiência da inspeção e que a tecnologia ainda precisa amadurecer.

    doi.org

  • Quem
    Daniele Pinna, Gabriele Sara, Giuseppe Todde, Alberto Stanislao Atzori e Maria Caria (Departamento de Ciências Agrárias da Universidade de Sassari), com Valentino Artizzu e Lucio Davide Spano (Departamento de Matemática e Informática da Universidade de Cagliari)
    O que fez
    A equipe construiu a SmartGlove, uma luva com antena RFID que lê o brinco eletrônico ou o bólus ruminal do animal e manda o código por Bluetooth para os óculos. Ao ler a etiqueta, o operador vê na lente a ficha daquele animal vinda do banco da fazenda: data do parto, idade, produção de leite do último dia e da última semana, número de partos e presença de mastite. Foram testados dois óculos, o Epson Moverio BT-300 (realidade assistida) e o Microsoft HoloLens 2 (realidade mista), contra o método comum de leitor RFID de mão mais lista de papel.
    O que saiu disso
    Dezoito participantes, entre estudantes, formados e interessados locais, identificaram animais pelo bólus ruminal e buscaram no banco da fazenda o grupo de cada um. O método comum foi o mais rápido, com 59,79 s de tarefa e 12,45 s por animal, contra 82,72 s e 16,86 s do BT-300 com a luva e 98,33 s e 21,32 s do HoloLens 2 com a luva (p < 0,001). Nenhum sistema cometeu erro de identificação. No questionário NASA-TLX a demanda mental, a demanda temporal e a frustração ficaram menores com os dois óculos que com o método comum, sem diferença estatística em nenhuma categoria; a carga de trabalho geral ficou em 29,72 para o método comum, 27,56 para o HoloLens 2 e 25,19 para o BT-300.

    doi.org

  • Quem
    DB Schenker (logística contratual)
    O que fez
    Separadores de pedido usam óculos Picavi baseados no Google Glass: a informação do pedido aparece na lente e o funcionário fica com as duas mãos livres, sem leitor de mão nem papel para segurar. A leitura do código de barras sai de um leitor de dedo ou de uma luva, e em Rodgau a empresa testou junto a luva ProGlove com leitor embutido. O sistema é comandado por botões no conjunto de bateria de 200 g preso ao cinto. A matéria chama o aparelho de 'Google Glasses da Picavi' e não diz qual geração.
    O que saiu disso
    Tudo o que a matéria informa vem da própria DB Schenker, em discurso indireto. A empresa apurou produtividade melhor na fase de teste em Bremen e Rodgau; em Bremen, unidade que presta serviço logístico para a indústria automotiva, diz que o uso dos óculos Picavi levou a ganho de eficiência mensurável e economicamente relevante na comparação com os leitores de mão anteriores, e que a solução reduz a taxa de erro. Nenhum número foi publicado. O passo seguinte, adotar a solução como procedimento padrão em vários locais, aparece como plano anunciado, não como fato consumado.

    transport-online.de

  • Quem
    Australian Meat Processor Corporation (AMPC) e a empresa australiana Bondi Labs
    O que fez
    Quem está dentro da planta usa os óculos Vuzix M400 e transmite vídeo e áudio ao vivo para quem audita de fora, com as duas mãos livres para o trabalho. A nota diz que os óculos são usados pela Bondi Labs com apoio da AMPC em auditorias e inspeções de conformidade de frigorífico, feitas por auditores de terceiros e pelo Departamento de Agricultura, Água e Meio Ambiente. A nota não nomeia o software nem nenhuma planta.
    O que saiu disso
    A nota da fabricante afirma que o custo dos óculos e do software se paga em duas auditorias, e que algumas plantas maiores fazem até 80 auditorias por ano. Situa em 100 milhões de dólares o custo anual de auditoria e inspeção do setor. A entrega foi feita durante a pandemia de covid-19, quando auditor de fora não podia entrar nas plantas. Nenhuma métrica medida foi divulgada: o retorno em duas auditorias é conta da própria fabricante, não resultado apurado numa planta.

    www.prnewswire.com

  • Quem
    SUBARU, seção de desenvolvimento de carroceria do departamento de engenharia de produção de carroceria (o funcionário ouvido no caso é 菅原貴英)
    O que fez
    Na medição tridimensional da carroceria (posição dos furos, ondulação da superfície), o operador espelha por Wi-Fi a tela do computador da máquina de medição no Epson Moverio BT-45C, que roda ligado a um PC móvel dynaEdge DE200, e comanda a medição por mouse sem fio. Vê na lente o modelo 3D, os valores medidos, o mapa de cores da diferença entre desenho e peça e o guia do procedimento, sem voltar até o PC a cada passo, que no processo final chega a ficar a 10 metros da peça.
    O que saiu disso
    Cerca de 25% de redução no tempo da medição. O trabalho deixou de exigir mais de uma pessoa e caiu o número de pontos de medição esquecidos. A página não informa a data de implantação.

    www.epson.jp

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