Setor · Ensino
A aula é o ponto de vista
Nove escolas, de uma oficina de alvenaria em Krefeld a uma escola de surdos em Nanquim, puseram a câmera ou a legenda onde os olhos do aluno já estavam. O que muda não é o conteúdo: é quem consegue ver as mãos.
Demonstração prática sempre teve o mesmo defeito: a turma se junta em volta do instrutor e vê o trabalho pelo ângulo errado, por trás, de lado, nunca de onde estão as mãos. Nove casos deste arquivo atacam esse problema, e se dividem em três formatos.
Primeiro formato: os olhos do instrutor, emprestados
Uma escola de culinária em Quioto pôs os óculos no instrutor para os alunos verem o nerikiri, o confeito decorativo japonês, do ponto de vista dele; depois inverteu e pôs os óculos no aluno, para o instrutor corrigir as mãos que estava vendo. A escola irmã fez o mesmo com latte art. Nenhuma das duas publicou nota, e isso está dito.
Avaliação é o mesmo truque com outro objetivo. O City of Bristol College fez quase 40 avaliações práticas de técnico automotivo pelo headset nos primeiros meses de um piloto de doze meses, contra uma carga normal de até 430 por ano, com o avaliador acompanhando o ponto de vista do próprio aluno. A Martec Training, no mesmo piloto nacional, usou o recurso com alunos de necessidades educacionais especiais, para a demonstração poder ser revista no ritmo de cada um, com as duas mãos ainda livres para a ferramenta.
Segundo formato: o modelo sobreposto ao objeto
A formação complementar de aprendizes na Alemanha foi além. No projeto ARUB, aprendizes de pedreiro em Krefeld comparavam a fiada assentada a seco, camada por camada, com um gêmeo digital projetado, e viam o desvio em vez de ouvir sobre ele. A parte honesta desse relatório é a que deu errado: a equipe escreveu que a interface do HoloLens não era autoexplicativa, e trocou por scanners 3D mais simples para ensinar a própria habilidade de escanear. O projeto ARihA, em Schweinfurt, montou a mesma ideia para veículos elétricos, com cada passo aparecendo no ponto do carro em que o passo é executado.
Terceiro formato: a legenda é o acesso
A Escola de Surdos de Nanquim colocou 60 conjuntos de óculos de legenda em alunos do 1º e do 2º ano do ensino médio e transformou a fala do professor em legenda em história, geografia e biologia. Escola e alunos relataram melhora na compreensão da língua escrita e do conteúdo que antes passava batido. Nota de prova nenhuma foi publicada, e a alegação é exatamente essa.
O caso mais antigo daqui é também o menor: um professor de física com Google Glass dentro do túnel do Grande Colisor de Hádrons, transmitindo uma aula em primeira pessoa para a turma dele em Michigan. Um professor, um túnel, uma turma, e o argumento se sustenta.